Iniciativa reúne organizações internacionais e apresenta relatório e ferramenta interativa que consideram as realidades locais na análise das estratégias de transição climática das empresas.
O Centro Clima da Coppe/UFRJ integra uma iniciativa internacional voltada ao aprimoramento das avaliações da transição climática corporativa, contribuindo para o desenvolvimento de abordagens que consideram as particularidades econômicas, tecnológicas e regulatórias de diferentes países.
O trabalho resultou na publicação do relatório “One Size Doesn’t Fit All: Localising Corporate Transition Assessments” (Um único modelo não serve para todos: adaptando as avaliações da transição corporativa às realidades locais) e no desenvolvimento de um protótipo interativo disponibilizado na plataforma TransitionArc, da Arc.
A iniciativa foi desenvolvida ao longo de dois anos, reunindo organizações que atuam nas áreas de clima, finanças e análise de dados. O projeto envolveu o diálogo com investidores, formuladores de políticas públicas, empresas e instituições responsáveis pelo desenvolvimento de trajetórias de transição, com atividades relacionadas a mercados como Brasil, Austrália, Japão e Coreia.
Avaliações climáticas adaptadas às realidades locais
Um dos principais desafios das avaliações da transição climática corporativa é considerar as diferenças entre países e setores econômicos. Condições relacionadas à infraestrutura, às políticas públicas, às tecnologias disponíveis e às características das economias nacionais podem influenciar os caminhos para a descarbonização.
Nesse contexto, a iniciativa busca aprimorar as metodologias de avaliação, incorporando trajetórias de transição específicas para diferentes realidades locais.
A proposta é contribuir para análises mais contextualizadas e úteis à tomada de decisões, oferecendo subsídios para investidores, empresas e outros agentes envolvidos na transição para uma economia de baixo carbono.
Cooperação científica e desenvolvimento de ferramentas
Como resultado da colaboração internacional, foi desenvolvido um protótipo interativo na plataforma TransitionArc, que explora a utilização de trajetórias locais nas avaliações da transição climática das empresas.
O relatório reúne os principais aprendizados do projeto e apresenta desafios que ainda precisam ser enfrentados para ampliar a aplicação dessas abordagens, incluindo a disponibilidade de dados, a transparência das metodologias e a adoção das ferramentas pelos usuários.
A iniciativa contou com a participação de organizações como Arc, Carbon Budget Tracker, Centro Clima, Climate Finance Hub Brasil, Climateworks Centre, Investor Group on Climate Change (IGCC), Rocky Mountain Institute (RMI), World Benchmarking Alliance e Institute for Sustainable Futures, da University of Technology Sydney.
A participação do Centro Clima/Coppe/UFRJ reforça sua atuação em redes internacionais de pesquisa e colaboração científica voltadas ao desenvolvimento de instrumentos para apoiar a transição climática e a tomada de decisões.
Conheça o relatório e a ferramenta
O relatório e o protótipo interativo representam avanços na construção de avaliações corporativas mais alinhadas às diferentes realidades nacionais e setoriais.
Confira a publicação original: AQUI
Conheça a ferramenta TransitionArc: AQUI
Especialista defende que o Brasil precisa integrar descarbonização, desenvolvimento econômico, inovação e geração de oportunidades em uma estratégia nacional com horizonte até 2050.
O Brasil reúne diferentes iniciativas voltadas ao enfrentamento das mudanças climáticas e à transformação da economia, como o Plano Clima, a Nova Indústria Brasil, o Plano de Transformação Ecológica, o mercado regulado de carbono e novos marcos para combustíveis e fontes de energia de baixa emissão. Para William Wills, diretor técnico do Centro Brasil no Clima (CBC) e consultor sênior do Centro Clima/COPPE/UFRJ, o país ainda precisa avançar na construção de uma estratégia que integre essas iniciativas e estabeleça uma visão de longo prazo para o desenvolvimento nacional.
Em artigo publicado no Portal Neo Mondo, em 30 de setembro, Wills analisa a importância das chamadas Estratégias de Desenvolvimento de Longo Prazo com Baixas Emissões de Gases de Efeito Estufa (LT-LEDS). Segundo o especialista, esse instrumento pode ajudar o Brasil a responder a uma questão central: que economia o país pretende construir até 2050 e quais caminhos devem ser percorridos para alcançar esse objetivo?
As LT-LEDS são estratégias previstas no âmbito do Acordo de Paris e têm como objetivo estabelecer uma visão de longo prazo, conectando as metas climáticas de médio prazo às prioridades de desenvolvimento de cada país. Diferentemente das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), apresentadas periodicamente pelos países, as estratégias de longo prazo não são obrigatórias. Para Wills, entretanto, sua ausência representa uma lacuna importante para o próprio planejamento brasileiro.
Na avaliação do pesquisador, o desafio brasileiro vai além da redução das emissões de gases de efeito estufa. O país precisa conciliar a transição para uma economia de baixo carbono com o aumento da produtividade, da renda e dos salários, a ampliação da infraestrutura e dos serviços públicos e a redução das desigualdades sociais e regionais.
Nesse contexto, descarbonizar significa também decidir quais atividades econômicas, tecnologias e cadeias produtivas terão papel estratégico nas próximas décadas. A transição energética, portanto, deve ser acompanhada pela criação de novas oportunidades de investimento, empregos, qualificação profissional e desenvolvimento regional.
Wills também destaca o papel do Transitioning Away from Fossil Fuels Roadmap (TAFF), iniciativa colocada em marcha pela Presidência brasileira da COP30 para estimular uma transição energética justa, ordenada e equitativa. Embora reconheça a relevância do processo, o especialista ressalta que o TAFF possui um escopo diferente de uma estratégia nacional de longo prazo, pois não estabelece metas, cronogramas e responsabilidades específicas para países ou setores.
O artigo aponta que o Brasil parte de uma posição privilegiada para enfrentar a transição para uma economia de baixo carbono. Entre os fatores destacados estão a matriz elétrica relativamente limpa, o potencial de expansão das energias renováveis, a disponibilidade de biomassa, recursos minerais e biodiversidade, além de uma agropecuária competitiva, uma base industrial relevante e possibilidades de remoção de carbono.
Para Wills, contudo, vantagens naturais não se transformam automaticamente em vantagens econômicas. É necessário planejamento capaz de identificar quais cadeias produtivas poderão crescer, quais tecnologias serão estratégicas, quais investimentos deverão ser antecipados e como preparar trabalhadores e territórios para as transformações econômicas.
O especialista destaca ainda iniciativas já existentes, como o Plano de Transformação Ecológica, o Plano Clima, a Nova Indústria Brasil e a Estratégia Nacional de Descarbonização Industrial. Na sua avaliação, o próximo passo é integrar essas políticas em uma visão de longo prazo capaz de orientar decisões presentes e futuras.
Outro ponto central abordado por Wills é a necessidade de avaliar as decisões de investimento considerando as transformações que ocorrerão nas próximas décadas. O setor de petróleo, por exemplo, continuará tendo relevância econômica e energética por muitos anos, mas os investimentos realizados atualmente também criam ativos e estruturas produtivas que permanecerão no país por décadas.
O artigo cita o plano de investimentos da Petrobras para o período de 2026 a 2030, estimado em US$ 109 bilhões, como exemplo da dimensão das decisões que precisam ser analisadas sob uma perspectiva de longo prazo. Para o especialista, é necessário avaliar quanto da capacidade de investimento, engenharia e inovação brasileira será destinada às cadeias econômicas já consolidadas e quanto poderá contribuir para atividades com maior potencial de expansão em uma economia de baixo carbono.
A construção de uma estratégia nacional também exige articulação entre diferentes áreas do governo e da sociedade. Fazenda, Meio Ambiente, Desenvolvimento e Indústria, Planejamento, Minas e Energia, Agricultura, Ciência e Tecnologia, BNDES e Casa Civil, entre outros órgãos, precisam atuar de forma coordenada, em conjunto com estados, municípios, empresas, trabalhadores, universidades e organizações da sociedade civil.
Para William Wills, o Brasil ainda pode aproveitar o atraso na elaboração de sua primeira estratégia de longo prazo para construir um documento mais conectado à implementação, aos investimentos e às decisões que precisam ser tomadas ao longo do caminho.
Nesse sentido, o horizonte de 2050 não deve ser entendido apenas como uma meta distante, mas como uma referência para orientar escolhas que precisam começar no presente. A estratégia deverá estabelecer mecanismos de acompanhamento, revisão e adaptação diante de novas tecnologias, mudanças econômicas e transformações no cenário internacional.
“Chegamos tarde, mas podemos chegar melhor”, avalia Wills, ao defender que o governo que assumirá em 2027 terá a oportunidade de tratar a estratégia de longo prazo não apenas como mais um documento climático, mas como um instrumento capaz de conectar políticas públicas e orientar um projeto nacional que ultrapasse os limites de um mandato.
Na visão apresentada pelo especialista, a neutralidade de emissões pode se tornar um eixo de transformação econômica, articulando novas cadeias produtivas, investimentos, inovação e soluções de baixo carbono. Mais do que alcançar emissões líquidas zero, o desafio é definir qual Brasil o país deseja construir até 2050, quais tecnologias pretende dominar, em quais cadeias globais deseja participar e como poderá transformar seus recursos naturais e capacidades produtivas em prosperidade, melhores salários e novas oportunidades.
A estratégia de longo prazo, portanto, pode representar mais do que um instrumento de política climática: pode constituir um verdadeiro projeto de país, baseado em desenvolvimento sustentável, inclusivo e resiliente.
Sobre William Wills
William Wills é diretor técnico do Centro Brasil no Clima (CBC), engenheiro eletricista pela UFRJ, mestre, doutor e pós-doutor em Planejamento Energético pela COPPE/UFRJ. Atua há mais de duas décadas na interface entre ciência, políticas públicas, setor privado e agenda climática. É sócio-diretor da EOS Consultoria e consultor sênior do CentroClima/COPPE/UFRJ, onde participa de projetos relacionados à mitigação, transição energética, precificação de carbono, modelagem macroeconômica, financiamento climático e transição justa. Também é colunista do Portal Neo Mondo.
Fonte: Neomondo
Dez anos após a assinatura do Acordo de Paris, o Brasil apresenta avanços importantes em sua trajetória de transição climática, mas ainda enfrenta desafios para alcançar suas metas de redução de emissões e consolidar uma economia de baixo carbono. Essas perspectivas são apresentadas no capítulo dedicado ao Brasil no DDP Report 2025, que avalia os avanços e os desafios da transição climática ao longo da primeira década do Acordo de Paris.
O sumário de uma página do capítulo brasileiro destaca que as emissões do país, após aumentarem de 1,5 GtCO₂e no período de 2015–2018 para mais de 2,0 GtCO₂e entre 2019 e 2022, voltaram a cair para 1,7 GtCO₂e em 2025, principalmente em função da retomada das ações de proteção e fiscalização florestal. Ainda assim, o nível registrado permanece acima da meta estabelecida na NDC brasileira para 2025.
O uso da terra permanece como um dos principais fatores da dinâmica das emissões brasileiras. Segundo o relatório, desde 2023 a combinação de medidas de comando e controle e instrumentos econômicos contribuiu para uma redução de 40% no desmatamento anual da Amazônia, reforçando a importância da governança do território para a trajetória climática do país.
O documento também destaca a característica particular da matriz energética brasileira. O setor AFOLU responde por quase 70% das emissões, enquanto o setor energético representa 20,5%. As fontes renováveis correspondem a 88% da geração de eletricidade e a 50% da matriz energética.
Entre os avanços identificados estão o crescimento das energias renováveis e dos biocombustíveis, a adoção de políticas que articulam objetivos climáticos e de desenvolvimento e a criação de instrumentos financeiros para estimular investimentos compatíveis com a transição climática. O relatório também destaca iniciativas de planejamento de longo prazo, como o Plano de Transformação Ecológica e os planos setoriais de mitigação associados à NDC de 2024.
Ao mesmo tempo, permanecem desafios relacionados ao desmatamento ilegal, às emissões de metano da pecuária, às limitações de infraestrutura e armazenamento do sistema elétrico, à expansão da produção de combustíveis fósseis e à coordenação das políticas climáticas entre diferentes áreas do governo.
Para os próximos anos, o relatório aponta transformações necessárias em setores estratégicos, incluindo a eliminação sustentável do desmatamento ilegal, a restauração florestal, ganhos de produtividade na agricultura e pecuária, o fortalecimento da infraestrutura elétrica e dos sistemas de armazenamento e o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono, com oportunidades relacionadas aos biocombustíveis, ao hidrogênio verde e aos combustíveis sustentáveis para aviação.
O Centro Clima/UFRJ participa da rede Deep Decarbonization Pathways (DDP), contribuindo para a produção de conhecimento e para as análises relacionadas aos caminhos de descarbonização e às transformações necessárias para uma economia de baixo carbono. A participação do Centro Clima na rede também se reflete na elaboração do capítulo sobre o Brasil do DDP Report 2025.
As discussões sobre os caminhos para uma transição climática justa e resiliente também estão presentes em projetos atualmente desenvolvidos pelo Centro Clima, como o JUSTPATH e o ACCLIMATE, que ampliam as frentes de pesquisa relacionadas aos desafios da transição climática.
Como parte da divulgação do capítulo brasileiro, o Centro Clima disponibiliza também o sumário de uma página em português, permitindo o acesso às principais conclusões do relatório por um público mais amplo. A versão original em inglês também está disponível para consulta.
Confira os documentos:
Sumário – Brasil | DDP Report 2025 – versão em português
Saiba mais sobre a publicação do capítulo brasileiro no DDP Report 2025:

O professor Emilio Lèbre La Rovere, coordenador do Centro Clima da COPPE/UFRJ, é autor de um novo artigo publicado na plataforma internacional Pluralia, no qual aborda a relação entre a agenda climática e o atual cenário político brasileiro, com atenção especial para o desmatamento na Amazônia.
Intitulado “Lula vs Bolsonaro Jr: climate change dispute”, o artigo integra uma colaboração de La Rovere com o jornalista italiano Alessandro Cassieri, editor de um boletim eletrônico ligado ao Fórum de Verona. A publicação é disponibilizada em diferentes idiomas e oferece ao público internacional análises sobre questões relacionadas às Conferências das Partes da Convenção do Clima e seus desdobramentos.
Nesta edição, La Rovere foi convidado a analisar os possíveis efeitos das mudanças climáticas sobre o contexto da eleição presidencial brasileira. Diante do limite de extensão da publicação, o professor concentrou sua análise na Amazônia e no desmatamento, tema que ocupa posição central tanto na política climática brasileira quanto na percepção internacional sobre o compromisso ambiental do país.
A escolha do tema também dialoga diretamente com uma das principais questões climáticas enfrentadas pelo país. Em trabalhos e entrevistas anteriores, La Rovere já destacou a importância do controle do desmatamento e de políticas efetivas de redução das emissões de gases de efeito estufa, especialmente aquelas relacionadas ao uso da terra e à preservação dos biomas, como a Amazônia.
A publicação amplia a presença do debate climático brasileiro no cenário internacional e reforça a contribuição acadêmica do Centro Clima para a análise das relações entre mudanças climáticas, políticas públicas, desenvolvimento e proteção ambiental.
La Rovere é professor da COPPE/UFRJ e possui uma longa trajetória dedicada aos estudos sobre planejamento energético e mudanças climáticas. Sua atuação inclui contribuições aos trabalhos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e pesquisas voltadas à descarbonização e à formulação de políticas climáticas.
Leia o artigo completo na Pluralia: Lula vs Bolsonaro Jr: climate change dispute – Pluralia
O pesquisador William Wills, do Centro Clima, publicou um artigo que analisa as oportunidades e os desafios para o Brasil diante da regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, mecanismo que estabelece as bases para a cooperação internacional envolvendo a transferência de resultados de redução de emissões entre países.
No texto, Wills destaca que a discussão vai além da quantidade de créditos de carbono que o Brasil poderá transferir internacionalmente. Para o pesquisador, a regulamentação deve considerar como a demanda global por redução de emissões pode ser utilizada para atrair investimentos, modernizar o parque produtivo, gerar empregos e ampliar a capacidade brasileira de cumprir seus próprios compromissos climáticos.
Um dos pontos analisados é a proposta de limitar a 50 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (CO₂e) o volume a ser transferido entre 2031 e 2035. Segundo o artigo, estabelecer um teto rígido com base em estimativas anteriores pode restringir as oportunidades brasileiras diante de um mercado internacional que tende a se transformar à medida que as metas climáticas se tornam mais exigentes.
Wills cita um estudo desenvolvido para a IETA Brasil, que identificou potencial técnico da ordem de 100 milhões de toneladas de CO₂e por ano para transferências internacionais. O pesquisador ressalta, entretanto, que isso não significa que todo esse potencial será necessariamente implementado, já que os projetos dependem de fatores como financiamento, infraestrutura, licenciamento e capacidade institucional.
Para o pesquisador, o principal critério da regulamentação não deveria ser apenas a quantidade de resultados de mitigação transferidos, mas o legado econômico, tecnológico e ambiental proporcionado pelos projetos.
Nesse sentido, iniciativas financiadas pelo mercado internacional de carbono poderiam contribuir para instalar novas infraestruturas, recuperar áreas degradadas, introduzir tecnologias, estimular a descarbonização industrial e criar empregos qualificados.
A proposta defendida no artigo é de uma regulamentação seletiva, progressiva e adaptativa, capaz de avaliar as características e os benefícios de cada iniciativa e, ao mesmo tempo, preservar parte das reduções de emissões para contribuir com o cumprimento das metas climáticas brasileiras.
Simulações apresentadas no estudo da IETA ajudam a dimensionar esse potencial. Em um cenário que combina descarbonização industrial e soluções baseadas na natureza, sem estabelecer previamente um teto para os ITMOs e mantendo metade da mitigação gerada no Brasil, o modelo estimou transferências de aproximadamente 120 milhões de toneladas de CO₂e por ano. Para 2035, esse cenário indicou um PIB 1,2% superior ao cenário de referência, R$ 71,6 bilhões em investimento estrangeiro e cerca de 190 mil empregos adicionais.
Os números não são apresentados como previsão, mas como uma demonstração da dimensão que o mercado pode alcançar e de como diferentes escolhas regulatórias podem produzir impactos econômicos distintos.
O artigo destaca que o Brasil reúne numerosas oportunidades de redução de emissões a custos competitivos, mas enfrenta um desafio fundamental: mobilizar capital suficiente para transformar esse potencial em projetos concretos.
Nesse contexto, o Artigo 6 pode funcionar como uma ponte entre a demanda internacional por mitigação e as oportunidades brasileiras de investimento em tecnologias e projetos de baixo carbono.
Para Wills, o sucesso da regulamentação não deverá ser avaliado somente pelo número de créditos comercializados, mas principalmente pelos benefícios que permanecerão no país após cada transação — como investimentos, novas tecnologias, empregos, produtividade e maior capacidade de reduzir emissões.
A discussão coloca o mercado de carbono como uma possível ferramenta para apoiar a reindustrialização verde, a modernização tecnológica e a implementação das políticas climáticas brasileiras, transformando o potencial de mitigação do país em uma vantagem competitiva para um novo ciclo de desenvolvimento de baixo carbono.
Fonte: Neomondo