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O professor Emilio Lèbre La Rovere, do Centro Clima da COPPE/UFRJ, participou no dia 18 de novembro do evento promovido pelo Ecumene Global Fórum durante a COP30, realizada em Belém, entre 10 e 21 de novembro de 2025.
O Ecumene Global Fórum é a única plataforma especializada na Rússia apoiada pelas Nações Unidas desde 2021 e foi criada para promover um diálogo global em torno do desenvolvimento sustentável, reunindo especialistas internacionais de alto nível. Seus resultados são apresentados anualmente na Conferência das Partes da UNFCCC. Desde sua criação, o Fórum já envolveu mais de 500 especialistas de mais de 40 países, alcançando mais de 1,5 milhão de visualizações em suas transmissões.
Com foco na cooperação internacional para as agendas ambiental e climática, o Ecumene promove debates estratégicos entre representantes empresariais e especialistas de diversos países. Nesta edição, o Fórum apresentou um relatório especial sobre os principais acontecimentos da COP30 e organizou uma série de entrevistas com especialistas de destaque mundial.
Os diálogos abordaram temas essenciais para a agenda climática global, como as prioridades da Rússia na COP30, as iniciativas da Presidência brasileira e os desafios atuais da governança climática. Também foram discutidos tópicos como cadeias de suprimentos sustentáveis, descarbonização do transporte internacional, mobilização de capital privado para adaptação, papel do gás natural na transição para economias de baixo carbono, biodiversidade e transição energética justa. Representantes dos países do BRICS ainda debateram os objetivos e prioridades do bloco na Conferência. As atividades foram moderadas por Evgeny Khilinskiy, vice-presidente do Gazprombank.
A gravação completa do evento e a entrevista individual do Professor Emilio Lèbre La Rovere estão disponíveis nos links abaixo:
O Centro Clima participou, no dia 18, de uma apresentação ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) seguindo a mesma linha do evento realizado em 8 de outubro, porém em versão mais resumida. Durante o encontro, a equipe apresentou a metodologia que será aplicada para avaliar os impactos econômicos e sociais do Plano Clima, o documento oficial que orienta as ações do governo federal para cumprir as metas de mitigação de emissões previstas na NDC do Brasil para 2030 e 2035.
O estudo será conduzido pelo Centro Clima e pelo EOS no início de 2026, assim que a versão final do Plano Clima for aprovada pelo Comitê Interministerial de Mudança do Clima. A iniciativa será patrocinada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, após Centro Clima e EOS vencerem o processo de licitação.
Leia a matéria sobre o evento na página do governo federal AQUI.

O Centro Clima da COPPE/UFRJ, em parceria com o CIRED e o TERI, lançam durante um side event da COP30 no dia 20, a Proposta de Iniciativa Piloto voltada a ampliar o financiamento climático e apoiar países em desenvolvimento na implementação de trajetórias compatíveis com o Acordo de Paris. Na ocasião, também será apresentado o Summary Statement, documento que sintetiza os pontos centrais da proposta.
O texto discute como ampliar o uso de garantias públicas, consideradas essenciais para mobilizar grandes volumes de capital privado e reduzir os riscos que ainda limitam investimentos verdes. Atualmente, muitos países enfrentam restrições fiscais porque precisam registrar integralmente o valor garantido como passivo, o que encarece e desestimula o uso dessas garantias.
Para superar esse desafio, a iniciativa propõe a criação dos Mecanismos de Garantia Multi-Soberanos (MSGMs), permitindo que vários países forneçam conjuntamente garantias soberanas de alto nível (AAA+). Essa abordagem compartilhada reduz custos, aumenta a confiança dos investidores e viabiliza empréstimos mais acessíveis e de longo prazo para projetos climáticos no Sul Global. Os MSGMs trariam benefícios tanto para países em desenvolvimento, ao ampliar espaço fiscal e atrair investimentos, quanto para países garantidores, que ganhariam novas oportunidades de investimento seguro e fortaleceriam sua legitimidade internacional.
A proposta defende que a plataforma seja flexível, capaz de apoiar diferentes trajetórias de transição e de trabalhar com instituições de financiamento ao desenvolvimento, fortalecendo também iniciativas locais. Como próximo passo, sugere-se que a COP30 estabeleça um “laboratório de design” para construir regras operacionais e testar uma plataforma experimental com países pioneiros.
Além disso, a iniciativa embasa contribuições estratégicas para agendas internacionais. No âmbito do T20, o texto “Towards a multi-sovereign guarantee mechanism for low carbon investments and climate resilience in developing countries” destaca a importância de uma arquitetura de garantias multi-soberanas (MSGA) para mobilizar financiamento privado, reduzir riscos, facilitar fluxos de capital e apoiar o cumprimento das NDCs no contexto do Acordo de Paris. Essa arquitetura busca superar barreiras regionais e setoriais, fortalecer cadeias globais de valor e impulsionar a reforma da estrutura financeira multilateral.
A proposta também foi submetida ao Baku to Belém Roadmap to USD 1.3 Trillion no documento “A Multi-Sovereign Guarantee Mechanism to Accelerate Climate Investments in Developing Countries”. A submissão apresenta o mecanismo multissoberano como uma solução capaz de acelerar investimentos climáticos ao transformar garantias soberanas em instrumentos “não-dívida”, reduzindo custos de capital e ampliando os prazos de financiamento.
Acesse os documentos completos:
• Summary Statement
• Contribuição para o T20
• Submissão para o Baku to Belém Roadmap to USD 1.3 Trillion
O Centro Clima da COPPE/UFRJ, em parceria com o CIRED e o TERI, preparou para o side event da COP30, previsto para ocorrer no dia 20 de novembro (mas que não foi realizado devido ao incêndio ocorrido) a apresentação da Proposta de Iniciativa Piloto voltada a ampliar o financiamento climático e apoiar países em desenvolvimento na implementação de trajetórias compatíveis com o Acordo de Paris. Embora o debate não tenha ocorrido, o material produzido para o painel está disponível, incluindo o Summary Statement, documento que sintetiza os principais pontos da proposta.
O texto discute formas de ampliar o uso de garantias públicas multisoberanas, consideradas fundamentais para mobilizar grandes volumes de capital privado e reduzir riscos que ainda dificultam investimentos verdes. Atualmente, muitos países enfrentam limitações fiscais porque precisam registrar integralmente o valor garantido como passivo, o que encarece o uso dessas garantias e reduz sua atratividade.
Para enfrentar esse desafio, a iniciativa propõe a criação de Mecanismos de Garantias Multisoberanas (MSGMs), que permitiriam que os países participantes, incluindo vários países desenvolvidos, fornecessem conjuntamente garantias soberanas de alto nível (AAA+). Esse modelo compartilhado reduz custos, aumenta a confiança dos investidores e viabiliza empréstimos mais acessíveis e de longo prazo para projetos climáticos no Sul Global. Os MSGMs trariam benefícios tanto para países em desenvolvimento, ao ampliar espaço fiscal e atrair investimentos, quanto para países garantidores, que ganhariam novas oportunidades de investimento seguro e reforçariam sua legitimidade internacional.
A proposta recomenda que a plataforma seja flexível, apta a apoiar diferentes trajetórias de transição e a colaborar com instituições de financiamento ao desenvolvimento, fortalecendo iniciativas locais. Como etapa seguinte, sugere-se que a COP30 estabeleça um “laboratório de design” para desenvolver regras operacionais e testar uma plataforma experimental com países pioneiros.
A iniciativa também é sustentada por contribuições estratégicas para agendas internacionais. O texto apresntado em 2024 no âmbito do T20, grupo de think tanks do G-20, “Towards a multi-sovereign guarantee mechanism for low carbon investments and climate resilience in developing countries” reforça a relevância de uma arquitetura de garantias multi-soberanas (MSGA) para mobilizar financiamento privado, reduzir riscos, facilitar fluxos de capital e apoiar o cumprimento das NDCs no contexto do Acordo de Paris. Essa arquitetura busca enfrentar barreiras regionais e setoriais, fortalecer cadeias globais de valor e impulsionar a reforma da estrutura financeira multilateral.
A proposta também foi submetida ao Baku to Belém Roadmap to USD 1.3 Trillion, da UNFCCC, no documento “A Multi-Sovereign Guarantee Mechanism to Accelerate Climate Investments in Developing Countries”. A submissão descreve o mecanismo multissoberano como uma solução capaz de acelerar investimentos climáticos ao transformar garantias soberanas em instrumentos “não-dívida”, reduzindo custos de capital e ampliando os prazos de financiamento.
Dois outros estudos, coordenados pelo CIRED, de Paris e pela University College de Londres, respectivamente, completam o embasamento da Declaração apresentada na COP 30.
Acesse os documentos completos:
• Summary Statement
• Contribuição para o T20
• Submissão para o Baku to Belém Roadmap to USD 1.3 Trillion
• Versão preliminar – Securing the acceleration of climate action thanks to the short-term benefits of multi-sovereign climate finance
• Scaling Climate Finance in EMDEs Through Guarantees: Unlocking Private Capital for EMDEs in a Shifting Geopolitical Landscape
Versão em Inglês AQUI
A equipe do Centro Clima/UFRJ acaba de publicar o capítulo dedicado ao Brasil no relatório internacional Deep Decarbonization Pathways (DDP) 2025, documento que revisa os avanços e desafios de 21 países desde a assinatura do Acordo de Paris, em 2015. O capítulo traz uma análise aprofundada das trajetórias brasileiras de mitigação, abordando energia, uso da terra, desmatamento, governança e perspectivas de descarbonização até 2050.
O relatório aponta que, embora o Brasil tenha avançado significativamente em energia renovável com quase 90% da eletricidade de fontes limpas, o país ainda enfrenta gargalos estruturais, sobretudo relacionados ao desmatamento, à degradação florestal e à lentidão na expansão da infraestrutura para energias alternativas.
Entre os destaques positivos, o capítulo cita a rápida expansão da energia eólica e solar, que atingiu 90 GW, ante 60 GW há apenas dois anos. No entanto, limitações na rede de transmissão e mudanças regulatórias recentes reduziram investimentos, resultando em 11% de potencial perdido ou atrasado em 2024.
O pesquisador Emilio La Rovere, professor do Centro Clima/UFRJ, lembra que desafios importantes se concentram fora das usinas: falta de linhas de transmissão para escoar energia do Nordeste e ausência de leilões de equipamentos para armazenamento, essenciais para a confiabilidade do sistema.
Apesar da queda do desmatamento na Amazônia, o relatório alerta para a alta degradação florestal e para o avanço da perda de vegetação nativa em outras regiões do país. Ainda persistem entraves como grilagem, ocupações ilegais e insuficiência na implementação do Código Florestal.
La Rovere enfatiza que o país já demonstrou capacidade de reverter esse cenário entre 2004 e 2012, o Brasil promoveu uma das maiores reduções de emissões da história recente. Para recuperar essa trajetória, o pesquisador aponta prioridades como:
O capítulo chama atenção para pressões por expansão da produção e uso de petróleo e térmicas a gás, inclusive próximas a ambientes sensíveis. O relatório compara esse movimento a “financiar um carro caro e beberrão por 30 anos”: uma decisão que cria dependência e reduz incentivos a transições mais baratas e limpas.
O relatório DDP mostra que muitos dos 21 países estudados:
Ainda assim, gargalos persistem, como:
La Rovere destaca que, no Brasil, o Plano de Transformação Ecológica ajuda a reorganizar políticas e financiamento para modernizar setores produtivos, atrair investimentos verdes e gerar empregos.
Henri Waisman, diretor da iniciativa junto ao IDDRI, afirma:
“A lição final é simples: precisamos avaliar, aprender e elevar a ambição de forma contínua traduzindo tudo em ações efetivas para enfrentar a crise do clima nesta década decisiva.”
O capítulo brasileiro produzido pelo Centro Clima/UFRJ reforça o papel essencial da ciência na orientação de políticas públicas, economia, infraestrutura e planejamento de longo prazo, contribuindo para que o país avance de forma consistente rumo a uma trajetória de neutralidade climática.
Relatório completo do DDP 2025 acesse AQUI
Capítulo sobre o Brasil (PDF) acesse AQUI
Fonte: oeco